17/04/11

Crente que tem promessa realmente não morre?

É óbvio que o tal chavão não resiste a uma exegese. Isto é, se o analisarmos à luz da analogia geral das Escrituras, considerando todos os aspectos que envolvem as promessas de Deus, como a condicionalidade de boa parte delas, não há como sustentar a falaciosa tese nele contida.O Senhor Jesus não é obrigado a cumprir todas as promessas que as pessoas julgam ter recebido dEle. E usar o tal bordão como uma segurança de que não morreremos enquanto as tais "promessas" não se cumprirem é uma atitude que vai de encontro (e não ao encontro) de textos como 1 Pedro 2.11 e Tiago 4.13-17. Estes não deixam dúvidas quanto a podermos partir para a eternidade a qualquer momento.
Qual é o crente que não julga ter promessas, hoje? Eu tenho promessas, mas não me valho delas para me considerar imortal. Estou preparado para encontrar com o Senhor Jesus, seja na sua Vinda, seja por meio da morte, a qualquer momento. Os dois pastores que morreram no acidente com o vôo da TAM, há alguns meses, tinham inúmeras promessas...Basta um pouco de bom senso, para se perceber que o tal clichê, apesar de parecer bíblico, torce a Palavra de Deus, levando o crente a pensar que é invencível. Quando acontece uma tragédia de grandes dimensões envolvendo servos de Deus, e centenas deles morrem, isso significa que nenhum deles tinha promessas pessoais?! Um avião não cairá se houver nele um crente que julga ter uma promessa pessoal?
Caro irmão, pense biblicamente; raciocine, mas não se esqueça de que a Bíblia é a nossa fonte máxima de autoridade, a nossa regra de fé, de prática e de vida. O seu simplismo me deixou preocupado, pois, quando resolvemos refutar um pensamento, temos de ter a Bíblia ao nosso lado, e não o nosso raciocínio, baseado em algumas passagens isoladas. É preciso ter em mente toda a verdade contida nas Escrituras.É claro que as verdadeiras promessas de Deus se cumprem, como no caso de Simeão, mas não se esqueça da condicionalidade de muitas delas, pois nem todas são de caráter imperativo. A promessa de Lucas 24.49 (coletiva) só foi recebida por quase 120, mas foi dada a mais de 500, pelo menos. Promessas pessoais também não se cumprem devido a fatores outros, como o mencionado em Eclesiastes 7.17.
Muito melhor do que apegar-se ao tal bordão é firmar-se na promessa de Apocalipse 22.20, que inclui a última oração da Bíblia: "Ora, vem, Senhor Jesus". E esta só pode ser feita por quem verdadeiramente está preparado, confiando nas promessas contidas em 1 Tessalonicenses 4.16-18 e 2 Timóteo 4.8.Melhor do que firmar-se em um bordão simplista e irresponsável é estar preparado para partir para a eternidade a qualquer momento, como Paulo, que, ao receber uma profecia de Ágabo, disse que estava pronto até para morrer!
O clichê em apreço, por conseguinte, leva o crente a esquecer-se das coisas de cima (Cl 3.1,2), fazendo-o pensar que é um super-herói. Pedro, quando estava na prisão (At 12), sabia que morreria velho, pois Jesus lhe revelara isso (Jo 21). Contudo, a sua vida demonstra que ele não se firmava nisso; antes, estava pronto a morrer a qualquer momento pela causa do evangelho.

Há pouco tempo, em uma grande escola bíblica, mandaram-me essa pergunta por escrito, e eu a respondi com outra: “Quantos aqui têm promessas de Deus?” E todos levantaram as mãos... Nesse caso, antes de qualquer consideração, afirmei: “Então, nenhum de nós morrerá, até à Vinda de Jesus, haja vista todos nós termos promessas?!”, deixando todos ainda mais curiosos...

Ora, é preciso considerar que para Cristo vivemos e para Ele também morreremos, caso o Arrebatamento não aconteça logo (Rm 14.8-10). Basta lermos Hebreus 11 para entendermos que nem todas as promessas que os heróis da fé (mencionados ali) abraçaram se cumpriram em suas vidas (vv.13,39). Em Atos 13.32, está escrito: “E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus”. Observe que a promessa foi dirigida a uns, no passado, e cumprida na vida de outros, que viveram muito tempo depois.

Qual é a nossa maior promessa? É a de que moraremos com Cristo, na glória (Fp 3.20,21; Tt 2.11-14). Mas, infelizmente, o bordão em apreço tem levado alguns crentes a se esquecerem das “coisas de cima” (Cl 3.1,2), impedindo-os de viverem como se o Arrebatamento da Igreja fosse acontecer a qualquer momento (1 Co 15.51,52).

As promessas que recebemos por meio de profecia não devem ser abraçadas cegamente, como se fossem a garantia de que jamais morreremos enquanto elas não se cumprirem. É claro que as verdadeiras promessas de Deus se cumprem, mas muitas delas são condicionais, como a do dia de Pentecostes (Lc 24.49; At 1-2). Se aqueles crentes não tivessem ficado em oração, em Jerusalém, não teriam recebido a promesa (2 Cr 7.14,15; Is 1.18-20; Dt 28).

Segundo a Palavra de Deus, é possível sim morrer antes do tempo (Ec 7.17). Essa história de que há um “destino” para cada um, e que “só quando chegar a hora a pessoa morre” não tem base bíblica. O fato de termos muitas promessas não garante que não morreremos até aos seus cumprimentos. Esse chavão é perigoso, pois anda de mãos dadas com outros clichês perigosos, como: “Quem não vem pelo amor vem pela dor” ou “Uma vez salvo, salvo para sempre”

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